segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Entre pipas e adultos



Pipas alçadas ao céu. Meus olhos brilham revelando meus pensamentos distantes, submersos em minha infância. Tempos que voltaram com esse turbilhão de nostalgia, em tela de cinema pré-globalizada, rodados pela minha emoção. Nesse embalo me pego a observar as pipas no céu da minha cidade, e descubro a inocência de uma criança, a alegria que nos faz transbordar de satisfação, o sincero sorriso eufônico de bem-estar.
Elas, as crianças, não fazem planos com passos de adultos, não se preocupam com sua ética ou moral, diante de milhões de olhos de juízes. Coisas que são chatas e às vezes cruéis de mais até para os adultos convencionais e carentes de afecto. Crianças são assim, sinceras e espontâneas. Vêem o céu como uma alegoria divina, e muito complexa para seu pequeno mundo. Ò observam não como os adultos enfadados, que buscam insistentemente enxergar algo além dos seus corações de pedra. Mas deslumbram o céu como um enorme quadro azul borrado de branco e manchas negras que choram vida. O sol, a respeitável estrela maior, radiante, que queima ao teimar com a mãe que fala para não saírem depois das 11h00min e antes das quatro da tarde. O vento, a porta certa para saírem a conquistar a dimensão de Deus, e disputarem o maior espaço, com pipas “iradas” que os transformam em super heróis ao cortarem o amigo ou quem estiver nos ares. Semelhante às historinhas dos gibis de acção que compram toda semana na banquinha do “Seu Zé”. Um passaporte para o mundo da fantasia e dos sonhos mais mirabolantes. À noite, uma inimiga distraída. Que às vezes causa medo e às vezes um calor de alegria. Como nas vezes em que escutam historias de terror, de alma penada, de fantasmas... Há como a inocência é óptima vista por esse ponto. A noite também é alegre quando saem e assiste aos filmes de chorar de rir, pura magia. Crianças. Ensinam-nos mais a viver que os livros de biologia. Enxergam as intenções, não julgam com malícia, se parecem com Cristo. Tem virtudes que são dádivas. Por isso nascemos assim e envelhecemos como tais. Cómico, mais simples e verdadeiro como o enorme céu que é o telhado do mundo e o parque de diversões dessas crianças.

Por: John Thinker

...